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| Barry, Robin e Maurice Gibb, mais Colin Petersen e Vince Melouney, em 1967 |
Apoiando-se em composições e vocais impecáveis, os Bee Gees foram capazes de criar uma longa carreira que começou no final dos anos 50, na Austrália. No caminho, eles foram um grupo de Pop psicodélico na Inglaterra durante os anos 60, a maior banda da Disco Music nos anos 70 e ainda conseguiram um comeback com música adulta contemporânea nos anos 90. Barry Gibb nasceu em set/46, em Manchester, Inglaterra. Seus dois irmãos gêmeos, Robin e Maurice Gibb, nasceram em dez/49, na Ilha de Man. Eram três de cinco irmãos. As primeiras apresentações do trio de irmãos aconteceram em teatros locais em Manchester, em 1955, cantando em intervalos de outros shows. A família mudou-se para a Austrália em 1958, fixando-se em Brisbane. Então, denominados de "Brothers Gibb", com Barry compondo as canções, eles atraíram atenção e conseguiram um programa na TV local. Foi nessa época que eles adotaram o nome Bee Gees. O trio se tornou tremendamente popular. No final de 1966, eles decidiram retornar à Inglaterra, que graças aos Beatles agora se tornara o centro mundial do Rock e da música popular. O trio distribuiu fitas demo e a canção "Spicks & Specks" (um dos hits na Austrália) interessou ao empresário Robert Stigwood, que assinou com eles e passou a moldar-lhes o som dentro do ambiente da Swinging London. Barry e Robin alternavam-se nos vocais principais, harmonizando juntos com Maurice. Barry tocava guitarra rítmica, enquanto Maurice tocava baixo, piano, órgão e melotron (entre outros instrumentos). A primeira gravação inglesa, no início de 1967, foi "New York Mining Disaster 1941", com uma melodia perturbadora e estranhamente surreal, bem psicodélica. Foi sucesso instantâneo, que teve continuação com "Holiday", "To Love Somebody" (cover de Otis Redding) e "Massachusetts", um gigantesco sucesso (nº. 1 no Reino Unido).
O álbum de estreia na Inglaterra foi "Bee Gees' 1st", lançado em jul/67. Certamente foi um disco bem diferente e que chocará fãs que só conhecem o som do trio pelas baladas românticas do início dos anos 70 ou já na fase do final daquela década com seus mega-sucessos da Disco Music. Em 67, eles faziam canções melódicas com ricas harmonias vocais, uma espécie de resposta australiana aos Everly Brothers. Desde a chegada na Inglaterra, eles absorveram rapidamente o Pop Progressivo e o Rock que estava em tudo ao redor. De uma só vez, eles se tornaram competidores de veteranos como os Hollies e Tremeloes, com seu álbum de estreia, um disco de Rock em que eles soavam como os Beatles da era Revolver. Os três hits estavam lá ("To Love Somebody", "New York Mining Disaster 1941" e "Holiday"), lindos, porém meio sombrios, melancólicos. O restante do álbum era Pop psicodélico de primeira qualidade (em 2006, ele foi relançado com som remasterizado de enorme melhora no som e em versão expandida com 2CDs - imperdível). Em jan/68, eles lançaram o segundo álbum, "Horizontal". Menos focado do que a estreia, mas por outro lado apresentando um som majestoso, o disco era cheio de baladas pungentes, sombrias, mas deslumbrantes, com letras inteligentes, acompanhamento de melotrons, pianos, guitarras fuzz, elementos de Hard Rock (!), e o grande destaque a linda "Massachusetts", um hit arrasa-quarteirões (este álbum também foi relançado em 2006 remasterizado e ampliado - duca!). Com controle das produções, os irmãos Gibb seguiram criando melodias de beleza estonteante que misturavam influências que iram de fontes variadas, incluindo a Country Music, a Soul Music, a psicodelia e a Black Music.
Em ago/68, surgiu o terceiro álbum, "Idea", que era diferente, mais roqueiro e com as partes orquestradas menos proeminentes. Os dois hits, "I've Gotta Get A Message To You" e "I Started A Joke", vinham do trabalho da fase australiana, mas no restante do disco eles soavam como uma banda completa e coesa, não apenas um grupo de harmonias vocais com acompanhamento. As composições ainda tinham tendência ao dramático (fato que iria se manifestar mais ainda no álbum seguinte), mas o grupo parecia tentar algo menos tristonho, menos surreal nas letras. O que eu nunca soube é que exatamente nessa fase, os Bee Gees gravaram um especial para a TV alemã chamado "Idea". E não é que percorrendo o YouTube (onde mais?), eu encontrei o tal especial na íntegra e em alta qualidade. Putz, duca total! O especial coincidiu com o lançamento do álbum, mas realmente foi feito na Bélgica. Na época, os Bee Gees ainda eram um quinteto com os três irmãos Gibb, mais Vince Melouney (guitarras e vocais) e Colin Petersen (bateria). No especial, eles contam com convidados especiais: Brian Auger, The Trinity com Julie Driscoll, Lil Lindfors... Foi dirigido pelo por Jean-Christophe Averty. A direção de arte é bem na linha do "Yellow Submarine", então recém-lançado pelos Beatles. Confira:
Em 1969, o trio brigou durante uma disputa envolvendo o quarto álbum, "Odessa". O LP duplo, ricamente orquestrado, era uma gravação ambiciosa. Os três irmãos não conseguiram chegar a um acordo sobre que canção seria o single e Robin abandonou o barco. Barry e Maurice ficaram firmes. Uma pena a desavença já que "Odessa", de jan/69, é fácil o melhor álbum dos Bee Gees dos anos 60. Foi o sucesso mais improvável também considerando-se os conflitos por trás de sua gravação. Seu projeto começara como um álbum conceitual, mas as disputas entre Barry e Robin forçaram ao abandono dessa ideia. O LP duplo, em grande parte por ordem do empresário e da gravadora, no entanto não soou esticado e ficou perfeito (tal como "Blonde On Blonde", de Dylan, ou "White Album", dos Beatles). Densamente orquestrado, cheio de Prog Rock e baladas etéreas, números dylanescos, baladas Pop delicadas, Rocks na linha do Moody Blues, com uma miríade de sons e texturas, "Odessa" era complexo e desafiador. Se você encarar os Bee Gees como sucessores dos Beatles, então "Odessa" foi o "Sgt. Pepper's" deles. Originalmente, o álbum veio encartado numa capa de feltro vermelho com letras douradas e elaboradas pinturas no interior. Barry e Maurice mantiveram o nome Bee Gees por mais um disco, "Cucumber Castle", enquanto Robin lançou "Robin's Reign". Sem uma banda para promovê-lo, "Odessa" nunca vendeu bem, embora devesse. "Cucumber Castle", de jan/70, foi outro excelente disco, forte em melodias, arranjos e composições. Mesmo sem os vocais de Robin, Barry e Maurice mantiveram a qualidade em doze faixas na melhor tradição Pop. Lindo.






Essa fase dos Bee Gees é muito bacana. Tenho uma coletânea dupla com músicas só dessa fase. NY Mining Disaster é a minha música predileta deles. Ela retrata um acidente real que vitimou diversos mineradores no início do século 20 e que teve grande repercussão mundial, gerando regras e legislações específicas para a atividade que vigoram até hoje. Embora eles tenham se tornados grandes na seara romântica e posteriormente dançante com a febre disco, eles são muito melhores no período anterior. É onde mostram o verdadeiro talento...que também demonstraram ao criar os mega hits da era disco.
ResponderExcluirEmbora "Alive" (do disco "To Whom it May Concern") seja sua melhor canção e "To Whom it May Concern", de 1972, seja o melhor disco de sua longa e fértil carreira, essa primeira fase do Bee Gees é a melhor de toda a trajetória do grupo. Embora a fase seguinte (início dos anos 70 até 1975) também seja primoroso, a fase da discoteca seja magnífica e a fase anos 80 e 90 tenha produzido muito material bacana, a primeira fase é onde a genialidade do grupo se sobressai. O Bee Gees foi o único grupo que se aproximou dos Beatles, em termo de venda e de fascínio, por parte dos fãs. E mereceram tudo isso! Destaque, nessa primeiríssima fase, para "To Love Somebody", "Words", "Massachusetts" e "I Started a Joke". Só por essas canções, o Bee Gees será lembrado eternamente! Junto com os Beatles, são minhas duas bandas favoritas!
ResponderExcluirMuito top
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ExcluirAmo essa fase dos Bee Gees! Muito legal o seu texto, parabéns. Só queria pontuar que To love somebody não é cover de Ottis Redding. Os Gibb escreveram essa música para ele, mas ele faleceu antes de gravar.
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