O Manowar foi uma das bandas do início do Heavy Metal de maior sucesso internacional. Eles surgiram em Auburn, NY, em 1980, quando Joey DeMaio (futuro baixista da banda), enquanto trabalhava como técnico de som e encarregado de efeitos especiais na turnê "Heaven & Hell", do Black Sabbath, conheceu Ross Friedman, conhecido pelo apelido "Ross The Boss". Friedman havia sido membro fundador da famosa banda de Punk Rock novaiorquino "The Dictators" (que ele criou junto com Andy Shernoff, em 73). Após gravar três álbuns com os Dictators, ele fora para a França onde trabalhou um ano na banda "Shakin' Street", da modelo francesa Fabienne Shine. Na Heaven & Hell Tour, na qual o Shakin' Street era a banda de abertura, Friedman foi apresentado a DeMaio por Ronnie James Dio (nos bastidores de um show em Newcastle). Os dois sentiram-se atraídos pelos interesses que compartilhavam (mitologia, histórias de fantasia e Rock pauleira de bandas como Manilla Road e Cirith Ungol), tornaram-se muito amigos e decidiram montar uma banda. Com o final daquela turnê, a dupla juntou-se, trouxe Eric Adams (cantor e colega de sala de aula de DeMaio), mais Karl Kennedy (baterista do The Rods), e passaram horas ensaiando e criando um som que fosse direto, épico e muito potente, como nada antes. Em 1981, o Manowar surgiu tendo o nome retirado de um barco de guerra europeu do século 16. A ideia era que a banda criasse a trilha sonora perfeita para os "guerreiros modernos", dando-lhes confiança, apoio, força para seguir "batalhando e enfrentando" os desafios da vida (é mole?).
![]() |
| Joey DeMaio, Eric Adams, Donnie Hamzik e Ross The Boss |
Por causa de seus envolvimentos anteriores na indústria fonográfica, a dupla DeMaio/Friedman logo conseguiu um contrato com a Liberty Records e gravou uma fita demo contendo "Shell Shock" e "Battle Hymns". Era 81 e nascia ali um sub-gênero, com aquelas letras cheias de pompa, falando sobre glória, honra e de como o Heavy Metal era grande. Escandalosamente over, excessivo, com vocais operísticos, canções épicas, bombásticas, explosivas, levando o ouvinte a se sentir como se tivesse sentado sobre lombo de um cavalo durante a volta triunfante de um missão de guerra medieval. Virtuosismo musical, clichês do mundo do Metal (que não eram tão clichês ainda nesta época, claro), imagem de guerreiros... A fita ganhou atenção e eles conquistaram ampla liberdade para produzir o álbum de estreia. Kennedy, com muitos compromissos, resolveu retornar ao The Rods, e foi substituído por um conhecido de DeMaio, Donnie Hamzik. Nos meses seguintes, eles trabalharam nas faixas que comporiam o disco finalizado na primavera de 82, no Criteria Studios, Miami, FL. Lançado em jun/82, o cativante álbum "Battle Hymns" marcou época. Já abria com o apropriado ronco do motor de uma motocicleta na faixa "Death Tone" e com eles proclamando seu credo de "morte do falso metal". A qualidade musical era inegável (Ross The Boss e DeMaio arrepiavam total) e o cantor Eric Adams soltava a garganta poderosa e dramática. Destaques eram as canções "Heavy Metal Daze", "Manowar" e "Fast Taker" (que lembrava "Long Live Rock'n'Roll", do Rainbow), todas com estrutura pesada e cuspindo fogo. Orson Welles (o famoso ator/diretor de Hollywood) participou como narrador na faixa "Dark Avenger" e DeMaio dava show em seu baixo na versão de "William Tell Overture" (re-intitulada "William's Tale"). Consistente estreia, o melhor disco do Manowar, totalmente primal e agressivo, vistoso e urgente, mergulhado na estética do Heavy Metal clássico (com letras sobre lutas, violência, honra e orgulho metal), ritmos de batalha, cavalgada e triunfo, aquele clima de "vamos à guerra", vital e charmoso, excitante, incansável e imaginativo. Épico? Sim. Excessivo? Sim. Influente? Tremendamente.



Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comentários são bem vindos, desde que respeitosos da opinião alheia e sejam construtivos para o debate de ideias.