sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Tesouros perdidos


Aproveitando o gancho do segundo post da série Jeff Beck que o brother John está publicando, resolvi antecipar a resenha da lendária banda japa, Flower Travellin’ Band. Ela não era a bola da vez, mas como um de seus membros fez incursões com Beck, nada mais apropriado do que falar desses orientais malucos agora.

Sempre tive certo preconceito com o rock japonês, talvez em função do seu estranho e nada melodioso idioma ou sua cultura única e bastante diferente para nós (minha irmã foi casada com um descendente em primeiro grau de japa e reafirmo, eles são estranhos e têm costumes muito esquisito para nós). Filosofia comportamental-cultural à parte, não há como negar a impressionante capacidade dos japoneses em diversas áreas. Além do mais, são ardorosos fans do rock and roll desde a primeira hora e detêm os melhores sistemas de gravação e respeitabilíssimos equipamentos de som. E quando eu conheci esse grupo passei a olhar com outros ouvidos o rock da terra do sol nascente.

O Flower, como é chamado no Japão, foi um grupo inteiramente dedicado ao movimento contracultural japonês e seu som reunia psicodelia, elementos prog e forte acento dos primórdios do heavy. Inicialmente era um projeto do músico Yuya Uchida, um agitador cultural e produtor de muito prestígio, grande incentivador do rock em seu país. Muito bem relacionado no meio, era amigo íntimo de ninguém menos do que John Lennon. Após uma temporada com o ex-bealte nos States resolveu dar um direcionamento diferente em sua carreira depois de ser apresentado ao Cream e ao Experience, de Hendrix.


Inicialmente a banda se apresentava com sucesso para as audiências japonesas executando covers de Jefferson Airplane e Big Brother and the Holding Company, além de uma ou outra canção autoral. Chegaram a lançar um primeiro álbum, Challenge, em 1968, mas foi depois de recrutar o guitarrista Heidi Ishima e o vocalista Akira Joe Yamanada, que a história desse grupo mudou de vez. O grupo foi completamente reformulado e iniciou uma carreira internacional de prestígio, pelo menos no que se refere a apresentações ao vivo. Com o tempo, o próprio Uchida se retirou, passando a atuar mais como produtor do grupo, entre outras atuações profissionais. Mas ele participou daqueles que podem ser considerados os melhores registros da banda, Satori, de 1971 e Live, de 1972. Muito competente instrumentalmente e com performances arrebatadoras, o Flower era cotado para abrir os grandes concertos de bandas britânicas ou americanas e sua terra, além de ser convidado para apresentações mundo afora. Se apresentaram com grupos gigantes do período como os Rolling Stones e Emerson Lake & Palmer.

Mas o sucesso com o público não se repetia nas vendas e após gravar mais um disco, em 1973, a banda se dissolveu, mas marcou época e se tornou grande referência e estímulo para as gerações vindouras de roqueiros de olhos puxados. A banda voltou a se reunir em 2007, gravou o disco We are Here (sem Uchida) e novamente lotou casas de shows por todo o país até 2011, quando encerraram as atividades definitivamente em razão da morte do lendário vocalista Yamanada, aquele mesmo que gravou com Jeff Beck.

Não conheço os discos da primeira fase do Flower e tampouco seu registro “recente”, mas tenho Satori e o Live ( no Canadá). São muito bons.


Um comentário:

  1. Sensacional o texto, brow. Não conhecia e completou a pesquisa sobre carreira do Jeff Beck. Maravilha. Minha lista de tesouros perdidos só vai crescendo... haja grana!

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